DIA 20 – O FIM
Este blog acaba hoje.
Acaba porque, depois de 20 dias, venci o hábito.
A vitória foi rápida. Sentado numa mesa, um conhecido fumava ao meu lado, e eu pedi um cigarro. Sabendo que depois de 20 dias eu estaria no controle, a pessoa me deu o maldito. E foi batata: no que coloquei o dito cujo aceso na boca, senti um enjôo no primeiro trago. O gosto da nicotina me fez sentir mal, a fumaça não desceu legal, e como um menino que rouba o maço de cigarro do pai, engasguei com a fumaça – mas não tossi, afinal a fumaça foi minha companheira por alguns anos.
Mais um trago, mais enjôo, e apaguei o cigarro.
-Venci!
Levantei e fui respirar.
DIAS 17, 18 e 19
Mesmo que eu quisesse, não poderia fumar. Estou doente feito o cão. Não é possível avaliar o impacto do fim do hábito no corpo físico com a doença. E estou longe de dar sinais de melhora ainda.
E a vontade de praticar o hábito cessou. Está controlada temporariamente.
DIAS 15 E 16
Warning: Vontade de fumar apareceu!
São impulsos esporádicos, tomando a atenção por breve instantes, que parecem eternos.
Mas passam.
DIA 14 – 2º SEMANA
Respiração não evoluiu muito, mas a frente fria explica. Pulmão na mesma.
Vontades esporádicas e desconforto com a fumaça do cigarro dos outros.
DIA 13
Preciso de intervalos, e intervalos não precisam de cigarro.
WARNING: Por algumas vezes me peguei pensando na possibilidade de fumar um cigarro só, apenas esporadicamente, como fazem algumas pessoas. Compram uma carteira que dura semanas, fumam pouquíssimo, mas no meu caso isso é impossível. Foi assim que comecei a fumar, achando que seria com pouca frequencia. Ter cigarro à disposição é dar margem pra ele tornar-se o hábito novamente, e portanto, partamos pro radicalismo: NADA, zero de cigarro.
É mais fácil assim.
DIA 12
Aparentemente, o ato de tomar chá ou café chama a vontade de fumar um cigarro. Mas esta vontade é transitória e perfeitamente controlável.
Pelos meus cálcuos, economizei R$ 54 até agora.
DIA 10
Sistema respiratório MUITO melhor.
Diposição e fôlego melhorados. Hálito e paladar são os maiores beneficiados. O esforço está valendo.
Nenhuma vontade de fumar.
DIAS 8 e 9
Vontade de fumar controlada. Respiração melhor e percepção do olfato e do paladar nitidamente aumentadas.
O cigarro parece estar associado a momentos de pausa ou quando se espera por algo, ou por alguém. É a falta de paciência que seduz o corpo e pede por um escapatório, que costuma ser mais do que o simples cigarro – é aquele maldito momento que distrai a mente e contamina o corpo.
Entender a base do vício é desconstruir o tabagismo.
DIA 7 – 1º SEMANA
Narinas em piloto automático suave. Garganta igual, pulmão mais solto. Olfato também deu sinal de melhora – cheiros de comida, de lixo e perfumes ficaram mais perceptíveis.
A vontade de fumar está controlada - permaneci ao lado de pessoas fumando sem me sentir incomodado, ou satisfeito. Foi a indiferença que fez a diferença.
WARNING: A vontade voltou. Não é nada incontrolável, é só constatável. E o progresso está justamente me constatar desse jeito, sem julgamento.
E é aí que a onda quebra de vez.
DIA 6
Tá fácil, enquanto estiver por perto de chá e hierba mate. Quero ver depois.
Mas também estou tendo vontades fortíssimas de comer chocolate. Ou doces.
Função pulmonar nitidamente mostra melhoras. Pigarro diminuiu.
A sensibilidade na garganta (ou a falta dela) é algo que há muito tempo eu ignorava.
E não há nada de erótico na frase acima.
DIA 5
WARNING: Mais vontade de fumar!
Mas um chá verde parece ajudar. Ou mate. Qualquer coisa que manipule o pscicológico.
É puramente psicológico, falando nisso. Observar o céu, o passatempo mais joinha do mundo, não precisa ser acompanhado de cigarro. Pausa de 5 minutos no trabalho também não.
Sistema respiratório parce ter evoluído um pouco. Vias nasais desobstruídas durante o dia, mas pioram durante a noite (culpa do frio talvez).
Pigarro parece ser minha única herança de fumante. Diria que estou 100%.
Já um médico diria que não.
Minha garganta dá sinais visíveis de que está aliviada de não ter mais que ingerir o coquetel de saliva com nicotina. A bichinha ameaça até mesmo a desinflamar.
DIA 4
Venci o terceiro dia. Não sinto vontade nenhuma de fumar.
Ao caminhar atrás de um senhor na rua que estava fumando, me incomodei com a fumaça – o que não acontecia há muito tempo. Passei o homem e resolvi correr um pouco. Estou menos ofegante que antes – e só fazem 4 dias que larguei o tabagismo. É visível o resutado do esforço.
Meu hálito parece ter melhorado. E estou saboreando os alimentos como não fazia antes.
WARNING – Pela primeira vez, senti vontade de fumar.
Maldito terceiro dia!
Fui salvo pelo universo – aqui não é tão fácil achar cigarro, e estou sem um puto no bolso.
UPDATE – Acabo de vencer a vontade tomando una hierba mate.
A respiração tornou-se mais suave. As narinas estão abertas, o ar voltou a correr facilmente pelo nariz – o que só fui constatar na meditação.
Sinto-me desobstruído totalmente. É como quando estive no Nordeste, parece que a secura do ar faz a respiração fluir melhor.
DIA 3 – O FAMIGERADO
Historicamente e popularmente, diz-se que o 3º dia sem cigarro é o mais crítico. Veremos.
O segundo dia foi fácil. As refeições foram os únicos momentos que lembraram o ato de acender um cigarro. Normalmente fraquejo nessas ocasiões, e depois do sexo (que não parece ser o caso nesta noite). Passarei ileso.
Em breve, uma caixinha com 20 cigarros passará de R$ 3,40 para R$4,50 (valeu, crise econômica!). Mais uma razão pro esforço.
